Raízes

Uma flor, que desabrocha após o  inverno;
uma semente antes morta, que se permite “arborecer”.
Como um barco á vela, este ao vento se lança ao mar,
deixando o cais de sua segurança, pelo destino incerto de navegar.

Talvez, não mais que palavras secas
Antes acorrentadas; apenas, pelo nó em minha garganta.
Não mais que uma fugitiva do tal destino;
Não mais que lembranças;

Não mais que incertezas e confianças;
Esperanças fincadas no amanhã
Talvez presa nos laços de criança ou numa mente sã.
É medo de firmar raízes, receio de ficar.

Uma mulher, com toque de êxtase,
É essência e  perfume.
Como faísca apenas para que haja fogo.
Ou como chama pelo desejo de queimar.

Como um barco, é preciso puxar âncora.
Todavia se criar raízes como seria ,pois, possível se lançar?
Mas no abrir da noite, na chama que arde;
é preciso ir para poder ficar.

Deixa aqui, só para não perder as “inspirações” de uma noite.

A dama e o despertar

Alma abandonada, parte de mim, desencarnada
Já pode voltar, fazer morada e se abrigar.
Alma gêmea se faça viva
Quando quiser, pode se apresentar.

Desconhecida, mão amiga, venha me afagar
Diga seu nome, chega devagar.
Passos leves e sintonizados
Colemos os corpos, vamos dançar.

Sejamos um, não mais que um.
Então dois em um, não mais que um par
Esqueçamos o desamor.
Ainda há um despertar

Peças embaralhadas de um quebra cabeça
Dados na mesa
Quando o meu coração, junto do teu está.
Jogo aprazível de se jogar

Teu brilho me encanta
De soslaio te olho.
Mesmo sem te conhecer,
Já posso te desvendar

Até teu beijo, já consigo saborear
Teu perfume já me é fragrância
Já sinto no gosto e no ar.
O vento te trás, sem deixar te mostrar

Ah! Mas quando aparecer
Não ira mas se afastar
Não ira mais sumir,
Se desfazer ou degradar

Sejamos um, não mais que um
Então dois em um, não mais que um par
Esqueçamos o desamor
Ainda há um despertar.

Orquestra e sinfonia

Em um jardim erguido
Sobre nuvens de algodão
Plantaram-se rosas brancas
Representando a devoção

Se o anjo tocar a harpa
Haverei eu de dançar
Há uma luz que me rege
Força a dissipar

Vejo no céu um trovão,
Risco veloz;
Sublimes estrelas
No céu a cintilar

Sinfonia majestosa,
Orquestra musical,
Doce canto lírico,
Traz a paz celestial

Nós corações dos Querubins
A pureza não adormece
As asas sempre aquecem
A fé imortal.

Lugar

Só queria saber o meu lugar
O lugar do meu coração
Da minha alma partida
Frente a esta solidão

Passos largos ou curtos
Curtos de expressão
Longos de sentimentos
Sofrimento, escuridão

Alma, doce alma
Néctar da fruta
Escondida labuta
Diante de um sorriso meu

Lagrimas se escondem
Mas por dentro meu peito se rompe
Sangrando sem parar
Chorando sem cessar.

Nostalgia,
Agonia encarnada;
Tristeza encravada
Quando quisera eu sonhar.

Medo da solidão

Abraça-me
Tenha meu coração em tuas mãos
Cura minhas feridas
Resgata-me da escuridão.

Estava em meio ao abismo
Em meio a um precipício
Pronta para me atirar
Mas tenho medo e te faço um pedido

Peço-te para me segurar
Acalenta-me, me ame
Não deixe eu me afogar
Em lagrimas rebeldes, que insistem por rolar.

Faça-me amar novamente,
Faça-me sentir tua proteção,
Dê abrigo a minh’alma
Afaga minha mão.

Como meu eterno amigo
Como conselheiro em quem confio
Como arquiteto e meu conhecedor
Esteja perto, esteja comigo.

Seja meu eterno amor
Seja minha louca paixão
Meu eterno sonhador
Aquele que traz minha emoção.

Roube sempre minhas palavras
E com elas minha razão
Roube meu juízo
Mas tire-me da alienação.

Devolva minha lucidez
Faça palpitar meu coração
Que por ti, pulsa enlouquecido
Quando sente SOLIDÃO.

Poetizando a emoção

Vou limpando-me,
Promovendo organização;
Escondo-me,
Enquanto aquieto meu coração.

Alma irrequieta;
Espírito conturbado;
Vida em redemoinho,
Sigo o caminho tracejado.

O que Deus tem planejado?
Enquanto isso há fé em mim.
O que Ele tem guardado?
Enquanto isso há fé em mim.

Longe eu vou indo,
Dispersando-me na multidão;
Perdida em pensamentos,
Sigo cantando a canção.

Encaro o papel,
A realidade e a razão;
Deixo fluir os sentimentos
Sentindo a emoção.

Mar em profusão
Ondas embravecidas
Oceano adiante
Águas enraivadas.

E as palavras foram roubadas
Pelos momentos,
As lógicas deturpadas
Pelo relógio do tempo.

Destino das estrelas
Ou quem sabe da divindade?
Anjo que me guia
Ou quem sabe, lealdade?

As flores e os amores

Sonhos, eles existem
Nascem e morrem em cada momento
Diante de um sorriso
Quem sabe de um contentamento?

Lembranças, parte da tua inconsciência
Momentos que deixam marcas
Mudança, amor e inflorescência
Depois de idas e vindas, captando essências.

Por nossas vidas, passam as rosas
Belíssimas e cheias de emoção
Que nos fazem querer tê-las
Mas trazem ódio e desilusão.

Passam ainda, as frésias
Trazendo sua segurança e proteção
Mas que simplesmente não conseguem,
Provocar uma satisfação.

Existem as anêmonas
Sempre com perseverança
Cheias de persistência
Aqueles amores dotados de esperança.

Existem também
Os ciclames enciumados
Mas com seu interior crescido
Cuidando do que por eles é amado.

Por fim, e não menos importante
Existem as bromélias
Amizades eternas, plena felicidade
A quem dou a minha eterna lealdade.

Viva por entre as flores
Busque o amor
E sinta os aromas
Aprecie com fervor.

Pessoas são como flores
Deixando-se presentes em sua mente
Somente por sua fragrância
Única, em cada ser vivente.